Por que a tapeçaria voltou à arte contemporânea?
- Ana Gonçalves
- 30 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Introdução
Durante décadas, a tapeçaria esteve afastada do circuito da arte contemporânea. Associada ao decorativo, ao utilitário ou ao artesanato tradicional, ela parecia não encontrar espaço em um campo artístico cada vez mais voltado para a rapidez, a tecnologia e a desmaterialização da obra.
Nos últimos anos, porém, esse cenário mudou. A tapeçaria voltou a ocupar galerias, exposições e pesquisas artísticas, não como retorno nostálgico ao passado, mas como linguagem atual, crítica e profundamente conectada às questões do nosso tempo.
Mas por que isso acontece agora? O que explica a retomada da tapeçaria na arte contemporânea?
A saturação da velocidade e da imagem
Vivemos em um contexto marcado pela aceleração constante, pela produção em massa de imagens e pela lógica do imediato. Nesse cenário, muitas práticas artísticas passaram a questionar essa velocidade excessiva, buscando outras formas de presença e experiência.
A tapeçaria surge como contraponto. Seu processo lento, repetitivo e manual propõe uma relação diferente com o tempo, tanto para quem cria quanto para quem observa.
O gesto repetido, o fio que se acumula ponto a ponto e a construção gradual da superfície se tornam uma resposta sensível a um mundo cada vez mais acelerado.
O retorno do corpo e do fazer manual
Na arte contemporânea, o corpo voltou a ocupar um lugar central. O interesse pelo gesto, pelo trabalho manual e pelo processo físico reflete uma necessidade de reconexão com a experiência material.
A tapeçaria, nesse contexto, se destaca por tornar visível o corpo em ação. Cada ponto revela a presença de quem faz, o tempo investido e a relação direta com o material.
Essa dimensão corporal aproxima a tapeçaria de outras práticas contemporâneas que valorizam o processo como parte essencial da obra, rompendo com a ideia de arte como objeto distante ou puramente conceitual.
Materialidade, memória e afeto

Outro fator importante para o retorno da tapeçaria à arte contemporânea é o interesse crescente pela materialidade e pela memória. Fios, tecidos e fibras carregam histórias, gestos aprendidos e relações afetivas que atravessam gerações.
Ao trabalhar com esses materiais, a tapeçaria ativa camadas de memória coletiva e individual. Ela convoca lembranças do cotidiano, do trabalho manual e das práticas transmitidas ao longo do tempo.
Na arte contemporânea, esse vínculo entre material, memória e afeto ganha força como forma de resistência à homogeneização e à produção industrial.
A tapeçaria como linguagem expandida
A tapeçaria contemporânea não se limita mais à parede ou ao formato tradicional. Ela se expande no espaço, dialoga com instalação, escultura e outras linguagens artísticas.
Essa expansão permite que o têxtil seja explorado como campo conceitual e sensorial, sem perder sua ligação com o fazer manual. O que define a tapeçaria contemporânea não é a forma fixa, mas a relação consciente entre técnica, material e intenção artística.
Essa flexibilidade contribui para que a tapeçaria se afirme como linguagem relevante e atual dentro da arte contemporânea.
O olhar do Studio TAPPETO®
No Studio TAPPETO®, a tapeçaria contemporânea é compreendida como uma prática que responde ao tempo presente. O fazer manual, o uso de materiais naturais e a atenção ao processo são escolhas que dialogam com a necessidade de desaceleração e presença.
Cada obra nasce da relação entre gesto, matéria e tempo, valorizando a construção lenta e a singularidade do trabalho manual. A tapeçaria não retorna como resgate do passado, mas como linguagem viva, em constante transformação.
Essa abordagem entende a tapeçaria como espaço de pesquisa e criação autoral, capaz de dialogar com a arte contemporânea a partir de suas próprias especificidades.
Conclusão
A tapeçaria voltou à arte contemporânea porque oferece algo que se tornou raro: tempo, presença e materialidade. Em um mundo marcado pela velocidade e pela abstração, ela propõe uma experiência sensível, construída no gesto e na relação direta com o material.
Mais do que um retorno, trata-se de um deslocamento. A tapeçaria contemporânea se afirma hoje como linguagem artística capaz de responder às questões do presente, sem abrir mão da profundidade do fazer manual.
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